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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Do temor de Deus e do arrependimento que devemos ter por tê-lO ofendido.






"A dor da alma, porém, deve ter dois companheiros para que a purifiquem e aplaquem a Deus, a saber: o temor do juízo divino e o ardor do inteiro desejo, afim de que recuperes pelo temor um coração humilde, pelo desejo um coração devoto e pela contrição um coração ilibado.

Teme, pois, os juízos divinos que são um abismo profundo.

Teme, repito, teme muito para que, embora de algum modo penitente, não desagrades ainda a Deus; teme mais para que depois não recomeces a ofender a Deus; teme muitíssimo, para que no fim não te afastes de Deus, carecendo sempre de luz, ardendo sempre no fogo, jamais livre do verme. Somente uma vida de verdadeira penitência e morte na graça da perseverança pode preservar-te desta infelicidade.

Canta, pois, com o profeta: "Transpassa com o teu temor a minha carne, porque temo os meus juízos"

Arrepende-te e tem cuidado por causa dos pecados cometidos.

Arrepende-te, aconselho, arrepende-te muito, porque por eles aniquilaste todo o bem que de Deus recebeste;

Arrepende-te mais porque ofendeste a Cristo que por ti nasceu e foi crucificado;

Arrepende-te muitíssimo porque desprezaste a Deus, cuja majestade desonraste transgredindo as Suas leis, cuja verdade negaste, cuja bondade afrontaste.

Pelo pecado desonraste, desfiguraste e transtornaste toda a criação; porque pela rebeldia contra os divinos estatutos, mandamentos e juízos, abusaste de todas as coisas que, segundo a vontade de Deus, te deveriam servir: das criaturas, dos merecimentos alcançados, das misericórdias de Deus, dos dons gratuitamente outorgados, e do prêmio prometido.

Depois de atentamente considerar tudo isto, toma teu luto como teu filho único, chora amargamente; faze correr uma como corrente de lágrimas de dia e de noite; não te dês descanso algum nem se cale a menina de teus olhos.

Deseja, contudo, os dons divinos, elevando-te pela chama do divino amor, até Deus, o qual tão pacientemente suportou nos teus pecados, tão longanimamente esperou, tão misericordiosamente te reconduziu à penitência, concedendo-te o perdão, infundindo-te a graça, prometendo-te a coroa, enquanto de tua parte Lhe ofertaste - ou antes d'Ele recebeste para Lhe ofertar, - o sacrifício de um espírito atribulado, de um coração contrito e humilhado por meio de sentida compunção, confissão sincera e satisfação condigna.

Deseja, digo, muito a benevolência divina por uma larga comunicação do Espírito Santo, deseja mais a semelhança com Deus por uma imitação exata de Cristo crucificado, deseja muitíssimo a posse de Deus por uma visão clara do Eterno Pai, para que na verdade cantes com o Profeta: "A minha alma arde em sede por Deus forte e vivo; quando irei e aparecerei diante da face de Deus?"


Excerto do livro "A direção da alma e a vida perfeita"

Por São Boaventura


 
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